Quando as correntes já não mais têm força para nos segurar

De que é feita a matéria de professor? De que é feita a matéria de gestores? De que é feita a matéria dos jovens? De que são feitas as idéias que transformam o espaço em que cada um vive?

Perguntas instigantes ou intrigantes? Fatos que incomodam ou que corroboram com a falsa idéia de que tudo vai bem?

As respostas talvez ainda venham a cavalo, não sei. Podem demorar um tempo ou muito tempo. O fato é que a situação é real e o momento é de luta. Luta pela sobrevivência, pelo direito de existir e coexistir, de ser e fazer, de viver e transformar.

Aqui e acolá, nessa ou naquela região, pessoas elevadas ao poder destronam a seriedade, o compromisso, o respeito e em seus lugares dão posse ao descaso, ao esquecimento, oferecem a margem como saída, como único refúgio. Tudo isso faz lembrar o tempo de nossos avós, no qual a escola era vista com seriedade, o professor era reconhecido e seu compromisso tinha valor.

Com a banalização de alguns papéis sociais, o do professor foi transformado em mero repetidor de conhecimentos, para que este não consiga levar seus alunos a pensar.

Nesse contexto, cabe perguntar se há necessidade de escola se o seu principal membro não tem mais o respaldo profissional de outrora. Cabe perguntar também que tipo de sociedade se espera par o futuro tão anunciado se não estamos sabendo criar os responsáveis por esse futuro sonhado. No passado, jovens sabiam lutar por seus ideais, alguns até perdiam a liberdade, mas não desistiam de seus ideais por causa dos abusos de poder do governo. Mesmo com os modelos mecânicos de educação implantados pelo governo que necessitavam de mão de obra qualificada nas diversas manufaturas espalhadas por esse país a fora, os jovens construíam em suas mentes os seus ideais de vida e profissão. Os tempos são distintos, mas as situações são paralelas.

Lá e aqui, ontem e hoje, o que vemos é uma sociedade de zumbis, teleguiados pela mídia, que os faz incorporar produtos, assumir características falsas, perder a sua identidade. Tanto ontem quanto hoje ganha são aqueles a quem pouco importa o progresso real da nação brasileira. Lucro é a palavra de ordem, poder é a palavra que dá o mote a todas as outras.

Pensar em futuro talvez seja algo surreal, afinal, todos parecem mutantes de si mesmos transportados ao tempo da escravidão. E muitos são escravos sem notar.

Mas uma coisa que poucos sabem e se o sabem fingem não entender, é que ao passo que muitos não enxergam, tem vários que estão de olhos abertos e armados contra todo o mal trazido pelo abuso de poder. Enquanto maquiavélicos procuram destruir os direitos adquiridos, transformar a juventude em "bois de currais eleitorais", tem gente decente vivendo de forma independente e se preparando para defender seu espaço e seus jovens de toda e qualquer ofensa aos seus direitos.

Na verdade, a matéria de professor é feita de coragem, de luta, de furor na batalha, de força na ponta do lápis e na língua, de força nas pernas e muito calor no seu coração e alma. Gestor que não conhece o calor que tem seus representados é apenas folha morta levada ao vento, pois por mais status que lhe tenha sido concedido, nada pode mudar a determinação de uma massa em busca de seus direitos e objetivos. a matéria de gestor é feita apenas de ilusão, pois o seu poderio dura apenas míseros quatro anos, quando muito oito, pois tudo passa... Veja o dia, tem vinte e quatro horas e acaba!

A matéria do jovem, que é feita em sua maioria de sonhos, depende de gente expressiva para ser lapidada, de espaço para expor seus ideais e construí-los, caso ainda não os tenha. Precisa de amor para que compreenda o que os rodeia e aprendam a preservar e tirar de cada coisa o melhor sem destruir nada.

Enfim, cada um tem seu papel, mas cada um tem também direito e obrigações. Cabe perceber que "um feixe de lenha amarrado" não constitui ameaça a uma nação, mas se espalhados os paus, a vulnerabilidade conferida à nação é tão expressiva, que nem mesmo o tempo consegue apagar os vestígios da falta de organização e reconhecimento de que necessita toda uma população.

Assim, que gestores compreendam que jamais vão calar a voz de um professor e jamais vão banalizar a existência dos jovens e, por fim, que jamais vão instituir o poderio absoluto. A matéria de cada um de nós é sólida por causa por causa da nossa história e justamente por causa dela é que se faz necessário lembrar que a independência já foi proclamada e que não iremos para a guilhotina sem que lutemos até o fim.

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