Um gigante chamado destino

O ser humano não tem jamais consciência do poder que tem as palavras proferidas e nem o caminho que elas nos fazem percorrer. Todos os dias sustos nos são pregados. São histórias diversas que nos deixam em situações desconfortantes, demasiadamente impotentes.
Esses sustos vem carregados de sentimentos de perda, de discórdia, de abandono, de solidão, de decepção. Somos apenas humanos, e, por isso, muitas inocentes, pois sempre achamos que sabemos de tudo um pouco. Mas é na adversidade que descobrimos sermos levados pelo que convencionou-se chamar destino. Esse gigante é avassalador. Escrevemos a nossa história do nosso jeito e ele destrona sonhos, ideais, decompõe nossas raízes, fere a nossa identidade.
Há um ano quis o destino que nos despedíssemos de um tio especial, aquele que sorria da dor e fazia piada da sorte. Quis esse tal gigante, que o prontuário no hospital fosse trocado (ele estava internado para fazer cirurgia de ponte safena) e acabasse sucumbindo à morte. Uma perda irreparável, uma pessoa inominável, alguém por quem choraríamos sempre em sua ausência, pois o destino apunhalou nosso coração naquela hora.
Hoje, faltando apenas três dias para completar 365 dias sem o tio Alemão, tio Vadinho ou qualquer um de seus codinomes, o destino nos tira outro tio, o Leitinho, como carinhosamente o chamávamos. Não há fôlego para suportar as investidas dessa escrita traçada pelo destino. Causa em nós o pânico de pensar que amanhã seremos nós e nem teremos tempo de nos despedir. Temos consciência de que a nossa existência aqui é um sopro, mas e a esperança, o que fazemos com ela?
Com isso, inúmeras reflexões se nos vem à cabeça. O que somos? Para que o somos? De quem somos? Até quando seremos? Nada do que fizermos será reconhecido e ou acatado?
O que é o destino senão as escolhas que fazemos ao longo da nossa existência? Mas quem nos conduz a escrever toda a nossa trajetória, o que nos influencia?
Creio que o destino só exista porque nós existimos primeiro. Ele nos manipula e determina nossos cursos e conquistas.
O fato é que nada do que fizermos trará meus tios de volta e uma maneira prática de sofrer menos é esquecer a palavra "morreu". Assim, pensaremos apenas que eles fizeram uma viagem longa para um lugar distante e nós não podemos contactá-los. Assim também, poderemos viver sem perceber de perto as reduções da alegria, as perdas, as solidões, as depressões, as decepções, bem como o aumento da dor.
Se somos reféns do destino, que pelo menos admitamos que somos apenas um sopro e nada mais, só assim sofreremos menos.

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